Polícia apreende R$ 1,5 milhão em ouro e joias em operação contra receptação em SP; dois alvos estão foragidos
25/08/2026
(Foto: Reprodução) A Polícia Civil de SP faz uma operação contra uma quadrilha que comprava joias de ouro roubadas
A Polícia Civil apreendeu mais de R$ 1,5 milhão em ouro e joias durante a segunda fase da Operação Ouro Reverso, realizada nesta segunda-feira (24) contra uma rede suspeita de receber, processar e revender alianças e outros objetos de ouro roubados em São Paulo.
Além das joias e do ouro, foram apreendidos R$ 6 mil em dinheiro e uma pistola Glock calibre .380, segundo balanço divulgado nesta terça-feira (25) pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
A operação cumpriu 28 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão na capital paulista e em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Dos quatro alvos das ordens de prisão, dois já estavam no sistema penitenciário e foram indiciados também nessa investigação. Os outros dois não foram encontrados e são considerados foragidos, segundo a SSP. A secretaria não informou, no balanço divulgado, os nomes dos quatro alvos.
A ação é coordenada pela 3ª Delegacia de Investigações sobre Fraudes Financeiras e Econômicas, da Divisão de Investigações Gerais (DIG) do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).
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Reprodução/TV Globo
Ouro era derretido
Segundo a investigação, a rede atuava em diferentes etapas da comercialização de ouro proveniente de crimes.
As joias roubadas — principalmente alianças — eram repassadas a intermediários e posteriormente chegavam a comerciantes e empresas suspeitas de comprar o material, derreter as peças e recolocar o ouro no mercado, dificultando a identificação de sua origem.
Entre os locais vistoriados está uma região do Centro de São Paulo chamada pelos investigadores de “círculo de fogo”, onde foram identificadas empresas suspeitas de comprar joias roubadas e realizar o processamento e a fundição do metal.
Documentos judiciais obtidos pelo g1 mostram que a investigação identificou uma estrutura em que intermediários adquiriam joias provenientes de crimes patrimoniais e as distribuíam a comerciantes. Segundo a acusação da primeira fase da Ouro Reverso, alguns desses estabelecimentos ficavam responsáveis pela recepção, transformação e reinserção do ouro no mercado.
Os autos mencionam peças provenientes de furtos, roubos e, em alguns casos, até latrocínios. Após a fundição, o ouro podia ser comercializado novamente em outro formato, apagando características que permitiriam relacioná-lo à joia originalmente roubada.
A Justiça também havia determinado, no âmbito da nova fase, o bloqueio de cerca de R$ 34 milhões em bens ligados aos investigados.
Primeira fase chegou a Rony e à 'Mainha do Crime'
A Operação Ouro Reverso começou em maio de 2025, quando a Polícia Civil realizou a primeira ofensiva contra a cadeia de receptação de joias.
Um dos principais alvos foi Rony Gonçalves, apontado pela investigação como intermediário entre pessoas que obtinham joias roubadas e comerciantes de ouro no Centro de São Paulo.
Segundo os autos, Rony obtinha recursos com lojistas, comprava peças e posteriormente as distribuía aos comerciantes. A investigação identificou comunicações frequentes e movimentações financeiras entre ele e donos de estabelecimentos da chamada “Rua do Ouro”.
Rony foi preso em 7 de maio de 2025 e posteriormente condenado a sete anos de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa e receptação qualificada.
Outra personagem identificada naquela investigação foi Suedna Barbosa Carneiro, conhecida como “Mainha do Crime”.
A acusação afirma que Suedna ocupava uma posição estratégica numa organização ligada à obtenção de joias e objetos de ouro roubados. Segundo os documentos judiciais, Rony atuava como intermediário entre esse núcleo e os comerciantes.
No celular de Suedna, a polícia encontrou um vídeo enviado por uma linha registrada em nome da mulher de Rony no qual um homem aparece pesando alianças de ouro dentro de um copo plástico.
Em outra negociação relatada no processo, Rony foi até Paraisópolis após ser chamado por Suedna para buscar joias e alianças e posteriormente entregou R$ 40 mil em espécie a ela.
As defesas negaram as acusações.
Mainha já havia sido presa após morte de ciclista
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Suedna já havia sido presa em fevereiro de 2025 em outra investigação, após o assassinato do ciclista Vitor Medrado, de 46 anos, durante um assalto em frente ao Parque do Povo, no Itaim Bibi.
Segundo a Polícia Civil, a Mainha dava suporte a criminosos que praticavam roubos utilizando motocicletas. Investigadores afirmaram que ela fornecia equipamentos como motos, capacetes, bolsas de entregadores e até placas, além de comprar objetos roubados.
A polícia apontou Suedna como financiadora da dupla acusada de matar Medrado. Ela não participou diretamente da abordagem ao ciclista.
A prisão dela e o material apreendido em sua casa ajudaram os investigadores a avançar na identificação dos autores do latrocínio, segundo a Polícia Civil.
“Quem compra alimenta o crime”
Para o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, a nova etapa busca atingir não apenas os responsáveis diretamente pelos roubos, mas também a estrutura econômica que permite a continuidade desses crimes.
“Quem rouba uma aliança coloca uma família no prejuízo. Quem compra essa aliança alimenta o crime e faz com que o roubo continue acontecendo. É por isso que nossa polícia vai atrás de toda a cadeia: de quem subtrai, de quem recebe e de quem transforma o produto do crime em dinheiro”, afirmou.
A operação também teve a participação de auditores fiscais da Secretaria da Fazenda e Planejamento, responsáveis por verificar a regularidade fiscal das empresas, e de avaliadores da Caixa Econômica Federal, que auxiliaram na identificação e avaliação das joias e dos metais apreendidos.