'Bora fazer um 'arrastãozinho'': ÁUDIO flagra planos de Minotauro, maior ladrão de mansões de SP
16/04/2026
(Foto: Reprodução) Imagens e áudios exclusivos mostram ação de assaltantes de mansões em São Paulo
Imagens e áudios exclusivos mostram ação de assaltantes de mansões em São Paulo
Conhecido como Minotauro, um dos integrantes de uma quadrilha especializada em invadir mansões em São Paulo aparece em gravações planejando novos crimes mesmo após o avanço das investigações. Em um dos áudios exibidos no Fantástico, ele fala em fazer um “arrastãozinho num predinho”.
Identificado como Diego Fernandes, Minotauro teve uma trajetória de crescimento dentro do crime, segundo a polícia.
“Ele começou por baixo, numa escalada criminosa, lichando cadeados para poder furtar as casas”, afirmou delegado Fábio Sandrini. “Posteriormente, vendo que os comparsas obtinham um lucro maior, ele acabou optando então para montar a sua quadrilha.”
Mesmo com parte do grupo sendo preso, ele continuava planejando ações. Em uma gravação, o suspeito diz: “Só eu escondidinho, quietinho, esperando a poeira baixar um pouco, né, pai?”. Em seguida, completa: “Vai fazer um arrastãozinho num predinho.”
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Ao ser preso, Minotauro indicou onde a quadrilha guardava objetos valiosos e que não tinham sido vendidos ainda.
Reprodução/TV Globo/Fantástico
Minotauro foi preso em setembro do ano passado. Ao ser abordado, admitiu a derrota: “Perdi, senhor. Perdi.” Após a prisão, ele indicou à polícia o paradeiro de parte dos objetos roubados pelo grupo.
Entre os itens recuperados estavam obras de arte de alto valor, levadas da casa de um colecionador.
Segundo a polícia, Minotauro tentou vender as peças, mas não conseguiu por causa do alto valor e da dificuldade de negociação. “Ele tentou vender, não conseguiu vender. E aí guardou esses quadros porque tinham um valor muito alto, porém o mercado é muito restrito”, explicou o investigador.
Além das prisões, a polícia apreendeu carros blindados, armas e desmontou o sistema de monitoramento usado pela quadrilha.
Quadro do pintor Alfredo Volpi, que foi roubado da casa de um colecionador e estava nas mãos da quadrilha..
Reprodução/TV Globo/Fantástico
A colaboração do suspeito ajudou a recuperar parte dos bens e avançar nas investigações sobre a quadrilha, que é suspeita de uma série de invasões a casas de alto padrão em São Paulo.
A defesa de Minotauro afirma que ele está à disposição da Justiça e que já obteve decisões favoráveis em ao menos dois processos.
O planejamento
Antes dos crimes, a quadrilha fazia um levantamento minucioso dos alvos. Segundo a investigação, os criminosos usavam drones, pesquisas e observação direta para escolher as casas.
“Eles tinham um modus operandi de fazer um levantamento prévio das pessoas e dos imóveis”, disse Sandrini.
Conversas obtidas pela polícia mostram como o grupo analisava detalhes das residências, como câmeras de segurança, guaritas e acessos laterais.
Em um dos áudios, um dos criminosos comenta: “Essa daí tem cheiro de riqueza, dá para ver pela quantidade de guarita".
Depois da análise à distância, entravam em ação os chamados “olheiros”, responsáveis por confirmar as informações de perto.
Em uma das ruas monitoradas, os criminosos foram além: instalaram uma câmera em um poste, conectada à internet, para acompanhar a movimentação das vítimas 24 horas por dia. Com as informações em mãos, o grupo partia para a ação.
Câmeras 24 horas foram instaladas para vigiar rotina das vítimas
g1
Em um dos casos, um integrante se passou por entregador para abrir caminho. Meia hora depois, os comparsas chegaram e encontraram o acesso liberado.
A casa era de uma joalheira, que prefere não se identificar. Ela e o filho foram rendidos durante a madrugada.
“Fomos dormir como se fosse um dia normal. Aí, três e pouco da manhã, tinham três homens na porta do meu quarto, com arma apontada na cabeça do meu filho”, contou.
Os criminosos já sabiam o que procurar. “Me entrega tudo, eu preciso da mala”, diz a vítima, referindo-se a uma mala com joias usadas no trabalho da vítima.
“Era o estoque inteiro de muitos anos. Acho irreversível esse trauma. Você percebe que não tem controle de nada dentro da sua casa”, afirmou.
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