Coligação, federação e apoio informal: o que são e o que diferencia os tipos de alianças na eleição

  • 28/02/2026
(Foto: Reprodução)
Eleições 2026: 18 dos 27 governadores não podem tentar reeleição A cerca de sete meses da eleição, as negociações para formação de chapas estão a todo vapor. No governo, Lula e o PT tentam atrair o apoio de partidos mais ao centro. Se não em uma coligação, ao menos para que haja neutralidade na disputa presidencial e liberdade na formação de palanques estaduais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Na oposição, Flávio Bolsonaro e o PL buscam repetir alianças que deram sustentação ao governo de Jair Bolsonaro. O PP é peça-chave, mas Ciro Nogueira, presidente do partido e ministro da Casa Civil do ex-presidente, reuniu-se com Lula recentemente e pode se aliar ao PT em disputas regionais que considera estratégicas. O partido se juntou ao União Brasil para criar uma federação que soma a maior bancada da Câmara e mais de 1,3 mil prefeitos. Mas esse acordo ainda não tem registro na Justiça Eleitoral. Se ou quando isso acontecer, os dois partidos terão que obrigatoriamente caminhar juntos na eleição, o que torna as negociações ainda mais complexas. Para este ano, os partidos negociam chapas da eleição presidencial e também nos estados. Neste último caso, para definir os candidatos a governador e senador. A eleição do Senado é considerada central porque colocará em disputa 54 das 81 cadeiras. Como os partidos podem firmar alianças na eleição Partidos podem disputar eleições e governar sozinhos, mas geralmente se aliam a outros. A lei eleitoral prevê dois tipos de arranjo: a coligação e a federação, ais recente, criada em 2021. Cada modelo inclui regras, abrangência e consequências diferentes. Fora de critérios definidos pela lei, o apoio informal pode acontecer. O que é a coligação eleitoral Na coligação, dois ou mais partidos se juntam para atuar como se fossem um só durante a eleição. É uma configuração temporária e vale para disputas de cargos majoritários (prefeito, governador, senador e presidente). Não há coligações para eleições proporcionais (vereador, deputado federal e estadual). Nesse modelo, os partidos somam recursos para financiar campanhas políticas e o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Veja as regras para a coligação: deve ser formalizada durante as convenções partidárias, entre julho e agosto; vale apenas para a eleição daquele ano; pode ser firmada para eleições municipais, estaduais e nacionais; partidos somam fundo eleitoral e tempo de rádio e TV. Após a eleição, a coligação deixa de existir. Os partidos podem continuar aliados ou seguir caminhos diferentes. Em 2022, o presidente Lula foi eleito em uma coligação com nove partidos: PT, PCdoB, PV, PSB, PSOL, Rede, Solidariedade, Avante e Agir. Depois da eleição, outros partidos passaram a integrar o governo, com a indicação de ministros, incluindo União Brasil e PP. Já Bolsonaro foi o candidato do PL em aliança com PP e Republicanos. Naquele ano, o MDB lançou a candidatura de Simone Tebet numa coligação com PSDB, Cidadania e Podemos. Como funciona a federação de partidos A federação também reúne dois ou mais partidos, mas a diferença está na duração e no alcance do acordo. Numa federação, as siglas atuam juntas no período eleitoral e também fora dele. Na prática, a federação funciona como uma união mais ampla e duradoura. As regras: deve ser formalizada e aprovada pela Justiça Eleitoral até seis meses antes da eleição — neste ano, o prazo termina em 4 de abril; tem duração mínima de quatro anos, dentro ou fora do período eleitoral; partidos devem atuar como um só bloco em todo o país; partidos somam fundo eleitoral e tempo de rádio e TV; obriga os partidos a lançarem os mesmos candidatos aos cargos majoritários (presidente, governador e senadores) e proporcionais (deputados federais e estaduais); parlamentares eleitos atuam de forma conjunta enquanto a federação estiver ativa. Veja calendário com as datas-chave da eleição em 2026. Arte/g1 E quando o apoio é informal? É possível que políticos decidam apoiar individualmente candidatos que não estejam no seu partido ou na coligação de que faz parte. É uma estratégia comum em processos eleitorais, mas podem motivar rachas e até punições caso contrariem alguma regra estabelecida pela legenda. "Caso de apoio informal não tem punição da Justiça Eleitoral, mas terá do partido se for considerado infidelidade partidária", afirma o advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral. "Ele [político] será punido pelo partido ao perder liderança, perder espaço em comissões e, em último caso, pode ser expulso. O político não perderá o mandato ou cargo e ainda passará por um processo até a expulsão." O apoio informal não tem registro na Justiça Eleitoral. Por isso, esse tipo de acordo não prevê soma de recursos de campanha nem tempo de TV. Outras características: não há registro na Justiça Eleitoral; não existe atuação conjunta de partidos; não há soma de fundo eleitoral ou tempo de rádio e TV; cada candidato e partido define como fará o apoio. Na disputa presidencial de 2022, a então candidata do MDB Simone Tebet decidiu apoiar Lula no segundo turno e fez até atos de campanha com o petista. Seu partido, o MDB, ficou neutro. O cientista político Eduardo Grin, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), explica que geralmente os partidos não repetem as mesmas alianças nos contextos estadual e nacional. Isso acontece, segundo ele, por três fatores: o Brasil não permite partidos estaduais ou locais, apenas nacionais; a lei autoriza coligações diferentes dentro dos estados -- exceto nos casos que envolvam federações; ausência de identidade programática, com "raras exceções". "Os cálculos eleitorais que os partidos fazem não têm nada a ver com coerência programática, com alinhamento à candidatura presidencial, mas sim com os seus componentes partidários em cada estado", diz Grin. "Os partidos vão se ajeitando, de acordo com as conveniências de cada momento, para identificar onde tem mais espaço para se manterem, por assim dizer, vivos, se manterem com condições de ter parlamentares influentes eleitos". O PSD, de Gilberto Kassab, diz que terá candidato próprio à Presidência da República, mas deve adotar posições diferentes a depender do estado. Em alguns, o partido estará no palanque de Lula; em outros, fará campanha com Flávio Bolsonaro. Na Bahia, por exemplo, o PSD é aliado do PT, que governa o estado. No entanto, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, um dos três presidenciáveis do PSD, afirmou recentemente que seu apoio no estado é para o candidato da oposição, ACM Neto, do União Brasil. "O PSD tem uma posição de, no estado, caminhar ao lado do atual governador e no palanque do atual presidente [ambos do PT]. Na Bahia, aquele que for candidato a presidente pelo PSD estará no palanque do ACM Neto. Essa liberdade foi discutida, não engessa a participação do candidato a presidente do PSD", afirmou. Eleição de 2026 colocará em jogo presidência, governos estaduais e vagas no Congresso Reprodução/TV Globo

FONTE: https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2026/noticia/2026/02/28/coligacao-federacao-e-apoio-informal-o-que-sao-e-o-que-diferencia-os-tipos-de-aliancas-na-eleicao.ghtml


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