Famílias desalojadas após temporal na Serra do RJ relatam momentos de medo: 'Cenário de terror'
04/02/2026
(Foto: Reprodução) Chuva causa alagamentos e deslizamentos em Cantagalo
Famílias de Cantagalo e São Sebastião do Alto, na Região Serrana do Rio, viveram momentos de medo após o temporal que atingiu a região entre a noite de segunda-feira (2) e a manhã de terça-feira (3). As fortes chuvas provocaram alagamentos, deslizamentos de terra, queda de árvores e a interdição de rodovias, deixando moradores desalojados e com grandes prejuízos.
Em Cantagalo, o volume de chuva atingiu principalmente áreas próximas ao Centro e causou perdas materiais significativas. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, ao menos 15 pessoas perderam tudo ou quase tudo e estão abrigadas temporariamente em casas de familiares. Todas já receberam cestas básicas e tiveram acesso ao aluguel social.
Uma das vítimas é a técnica de enfermagem e designer de unhas Ingridy Costa, que viu o salão onde trabalhava ser destruído pela enxurrada. Ela conta que nunca havia presenciado algo semelhante.
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“Foi uma tromba d’água, uma coisa nunca vista. Eu, com 34 anos, nunca vi isso. A água veio de um lado, veio do outro. Eu perdi meus móveis, meus eletrônicos, foi tudo perdido”, relatou.
Os transtornos também afetaram quem estava nas ruas durante a tempestade. Na RJ-152, na altura de Euclidelândia, distrito de Cantagalo, motoristas enfrentaram pistas tomadas por água, lama e pedras.
A auxiliar administrativa Lorena Gripp Gonçalves passava pela rodovia no momento da chuva e descreveu o susto.
“Foi um cenário de terror, com muita chuva, água e barulho. Passamos por vários trechos com lama e risco de o carro derrapar. Em alguns pontos, havia pedras que pareciam ter descido do morro. Pedi para meu marido parar porque achei que não íamos conseguir passar, mas ele disse que não dava para parar ali por ser uma área de risco”, contou.
Drama também em São Sebastião do Alto
No município vizinho de São Sebastião do Alto, a situação foi ainda mais crítica. A chuva provocou deslizamentos, queda de barreiras e árvores e bloqueou acessos à cidade.
A RJ-176, principal via de ligação ao município, ficou com diversos trechos interditados, deixando a cidade isolada em alguns momentos. Na zona rural, especialmente na localidade de Valão do Barro, estradas ficaram alagadas, dificultando o deslocamento de moradores e o trabalho das equipes de socorro.
Diante da gravidade, a prefeita Claudiane Pietrani decretou estado de emergência e instalou um gabinete de crise na Defesa Civil.
“Nossa preocupação hoje é o acesso ao hospital. Moradores do segundo, terceiro e quarto distritos não conseguem chegar à unidade municipal. Estamos percorrendo as localidades para avaliar de perto a necessidade de cada região”, afirmou.
O secretário de Defesa Civil, Wallace Rodrigues da Silva, reforçou as dificuldades enfrentadas.
“A situação é bem crítica. Vamos buscar apoio das autoridades para conseguir maquinário e atender a população da zona rural. Nossa grande preocupação é o escoamento da produção agrícola e de leite, além do transporte escolar com o início do ano letivo”, disse.
Mobilização para ajudar atingidos
Em Cantagalo, a população se mobilizou para ajudar as famílias afetadas. A Defesa Civil está recebendo doações de produtos de higiene pessoal, materiais de limpeza, roupas, cobertores, colchões e alimentos não perecíveis.
As entregas podem ser feitas na Secretaria Municipal de Defesa Civil e Trânsito, na Rua Prefeito Licínio José Gonçalves, s/nº, Bairro Triângulo, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Também será realizado um jogo solidário no sábado (7), às 15h, no Estádio Nelson Heleno Jucá, entre as equipes Espanha F.C. e Nova União F.C. Cada participante deve levar pelo menos um quilo de alimento.
A Associação de Pastores em Cantagalo (Apec) lançou ainda uma campanha para arrecadar donativos para moradores dos distritos de Euclidelândia e Boa Sorte, com pontos de coleta em diversas igrejas do município.
Enquanto os estragos são contabilizados, moradores tentam se reerguer e superar o trauma deixado pelo temporal que marcou a região.
Moradores relatam perdas e sustos durante a chuva que atingiu Cantagalo e São Sebastião do Alto
Divulgação