Lobista que, para a PF, atuou nos aportes do Rioprevidência no Master foi multado pela CVM por fraude em hotel de Trump no Rio

  • 31/05/2026
(Foto: Reprodução)
Projeto do Trump Rio Rockwell Group/MHB Studios A Polícia Federal afirma que o operador financeiro do suposto esquema que levou o Rioprevidência a colocar R$ 3,7 bilhões dos aposentados do Rio no Banco Master é Ricardo Siqueira Rodrigues. Conhecido como Ricardo Gordo, ele foi condenado embb dezembro de 2024 pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a pagar uma multa de R$ 53,3 milhões por uma operação financeira considerada fraudulenta, em 2016, relacionada à construção do hotel do então empresário Donald Trump na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O seu companheiro no negócio do hotel era o blogueiro Paulo Figueiredo Filho, neto de João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, que mora nos Estados Unidos. Nesta semana, Paulo Figueiredo acompanhou os irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro na visita ao agora presidente dos Estados Unidos Trump, na Casa Branca. Figueiredo também foi condenado pela CVM junto com Siqueira. A multa atribuída a Paulo Figueiredo chega a R$ 102 milhões. Dois dias após o encontro com os Bolsonaro, o governo americano classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A defesa de Ricardo Siqueira não foi encontrada para comentar o caso. A reportagem não conseguiu contato com Paulo Figueiredo. Ricardo Siqueira Rodrigues, o Ricardo Gordo Reprodução A ideia de construir o hotel era aproveitar o grande número de turistas que a cidade receberia, na ocasião, com as Olimpíadas de 2016. Em sua apuração, a CVM concluiu que Ricardo Siqueira era o responsável por captar recursos de entidades de previdência para o fundo que investiria no empreendimento. Segundo a comissão, ele teria se beneficiado de um laudo que permitiu uma transferência indevida na venda das cotas para botar o projeto de pé. Assim, segundo entendeu a comissão da CVM, o negócio teve um preço inflado muito além do seu valor real sem qualquer lucro ou crescimento genuíno do negócio, mas por fraude. A manobra prejudicou investidores e fundos de pensão que colocaram dinheiro no projeto do Trump Hotel. Em agosto de 2016, o hotel foi inaugurado, mas quatro meses depois, em dezembro, a empresa de Donald Trump rompeu o contrato de licenciamento da marca. A decisão aconteceu após os atrasos nas obras das suítes e investigações de desvios envolvendo os fundos de pensão que financiaram o projeto. O local então passou a se chamar LSH Barra Hotel. Tanto Ricardo Siqueira como Paulo Figueiredo recorreram das multas. Se a condenação for mantida quando se esgotarem os recursos, a CVM envia a dívida para a Procuradoria Geral Federal, órgão da Advocacia Geral da União (AGU) cobrar os valores na Justiça. Agora no g1 Compliance Zero Para a Polícia Federal, Ricardo Siqueira é o principal responsável por captar recursos do Rioprevidência destinados à aplicação em letras financeiras do Banco Master. A investigação da PF relata o diálogo em que Ricardo Siqueira se apresentou ao banqueiro Daniel Vorcaro, agora preso, como quem "resolveria os trâmites internos (no Rioprevidência), restando pendente apenas o alinhamento de natureza política". “O que me interessa é a captação. É trazer o dinheiro. Como eu faço para trazer o dinheiro? É problema meu. Eu não vou levar problema para você e eu tenho certeza." Em mensagens trocadas com Vorcaro, em junho de 2023, Siqueira diz que o Rioprevidência possuiria um "dono". E esse dono, de acordo com as mensagens, "precisa autorizar os caras internamente". Em maio daquele ano, o então governador Cláudio Castro participou de um jantar em Nova Iorque pago por Vorcaro. O valor da conta: cerca de R$ 66 mil. Em 14 de dezembro de 2023, o Rioprevidência recebeu um aporte de R$ 200 milhões direcionadas a letras financeiras do Banco Master. Uma semana depois, em 21 de dezembro de 2023, Ricardo Siqueira destacou em mensagem a Vorcaro que houve o "cumprimento integral da missão proposta". Ricardo Siqueira considera que houve sucesso em 45 dias. Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueredo com Donald Trump Divulgação Ricardo Siqueira firmou acordo de delação premiada na Operação Lava Jato, em 2018. Em seu depoimento, relatou um suposto esquema de pagamento de propina investigado pelo Ministério Público do Rio, que atingiu integrantes da gestão do ex-prefeito Marcelo Crivella, que chegou a ser preso. Contou ainda sobre fraudes em fundos de pensão estatais como Postalis e Serpros, além de um suposto esquema de irregularidades envolvendo o empresário Arthur Soares Filho conhecido como Rei Arthur.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/05/31/lobista-que-para-a-pf-atuou-nos-aportes-do-rioprevidencia-no-master-foi-multado-pela-cvm-por-fraude-em-hotel-de-trump-no-rio.ghtml


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