Pai de militar do Exército desaparecido em área de garimpo busca notícias: 'só quero encontrar'
12/08/2026
(Foto: Reprodução) Caminhonete usada por militar desaparecido é encontrada em área indígena de Roraima
"Eu vim saber disso no domingo. Eu estava esperando eles em casa para o almoço [em comemoração ao dia dos pais]", disse Adriano da Silva, o pai do cabo do Exército Brasileiro, Santiago Ramos de Paulo, de 23 anos, que está desaparecido desde a última sexta-feira (7).
A irmã dele, de 25 anos, registrou o caso na Polícia Civil (PC). Segundo ela, Santiago saiu de Boa Vista em um carro alugado, rumo ao Norte de Roraima. Os veículos foram encontrados neste domingo (9), em Normandia, na região da comunidade Napoleão, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, onde há registros de garimpo ilegal.
No registro, a irmã disse que Santiago saiu de casa e disse que retornaria no mesmo dia, o que não ocorreu. Ela fez um boletim de ocorrência no 4º Distrito Policial, em Boa Vista.
A Polícia Civil informou nesta terça-feira (11) que uma equipe de investigadores está na região da Comunidade Napoleão, no Território Indígena Raposa Serra do Sol, para apurar a ocorrência.
Adriano da Silva de Paula, também foi para Normandia em busca de notícias. Ao g1, ele afirmou que não sabe o que aconteceu com o filho, nem por que ele foi ao município.
"Minha cabeça tá tão agoniada que eu só quero achar ele. O único problema é que eu quero poder encontrar meu filho, somente isso", disse.
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Santiago Ramos de Paulo tem 23 anos e é cabo no Exército
Arquivo pessoal
Caminhonetes
No BO registrado na delegacia, a irmã disse que dias antes, ele estava com dois carros que tinham sido alugados no nome de um amigo. Além disso, no dia da viagem, ele afirmou que iria na companhia de um homem chamado "Valério".
Conforme o boletim de ocorrência registrado pela locadora de veículos, um amigo de Santiago alugou uma Hilux. Segundo o documento, o militar informou que o próprio carro estava com problemas, por isso precisava de outro. O contrato foi firmado na quarta-feira (5) e ele deveria devolver no sábado (8).
Até o momento, a Polícia Civil não confirmou a quantidade de pessoas desaparecidas. Também não identificaram confronto com indígenas, disparos de arma de fogo ou ataques com flechas.
As informações preliminares indicam que duas ou três pessoas que estavam em uma caminhonete teriam se assustado ao se deparar com a segurança comunitária indígena, abandonado o veículo e entrado na mata.
Um vídeo feito pela locadora e enviado à família de Santiago mostra o carro com os vidros dos passageiros quebrados, sem placa, pneus furados, coberto por barro e sem algumas peças, como a bateria. A outra caminhonete também foi recuperada e está na unidade policial.
Desaparecidos
Durante as investigações, os agentes receberam informações de que essas pessoas teriam sido vistas caminhando proximo à estradas da região, com a possibilidade de que estejam se deslocando a pé para deixar a área.
A informação, contudo, ainda não foi confirmada oficialmente, uma vez que as pessoas não foram localizadas.
Suposta dívida
Um tio do militar, Marco Antonio Barros, que acompanha o caso junto aos demais familiares, disse ao g1 que soube que o sobrinho foi até a região, acompanhado de outras pessoas, para cobrar uma dívida.
"Ele tinha comprado, não sei se era terra ou ouro, e o rapaz que estava lá não tinha pagado ele. Então, me parece que ele foi lá tentar receber isso que eles compraram, e quando eles chegaram lá armaram uma emboscada para eles", disse o tio.
Marco relatou ainda que acredita que o sobrinho não estava sozinho e que eles pode fugido a pé pela região. "Não sabemos dizer [com quantas pessoas Santiago estava], mas a gente está calculando que eram 12 pessoas", disse, acrescentando que "tentaram atirar neles e daí eles fugiram. Uma caminhonete foi abandonada na estrada e a outra já na comunidade Napoleão, e o tuxaua encontrou", afirmou.
Os policiais continuam apurando o caso para localizar as pessoas e esclarecer a ocorrência. Além disso, informaram que as informações são preliminares, tendo em vista as dificuldades de comunicação e acesso na região.
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