'Primeiro grau não produz nada': desembargadora do ES é afastada pelo CNJ após críticas a juízes e à OAB

  • 11/07/2026
(Foto: Reprodução)
'Não produz nada': Desembargadora do ES é afastada pelo CNJ após críticas a juízes e à OAB A desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (TRT-17), Marise Medeiros Cavalcanti Chamberlain, foi afastada do cargo por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A medida cautelar foi tomada após a magistrada fazer críticas a juízes de primeira instância da Justiça do Trabalho e à Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) durante uma sessão do tribunal. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A decisão foi assinada na quinta-feira (9) pelo corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques. Segundo o magistrado, Marise Chamberlain adotou um "tom jocoso, deboche e excessos verbais" ao comentar a atuação dos juízes de primeiro grau e da OAB-ES. Durante sessão do TRT-17 realizada na quarta-feira (8), a desembargadora afirmou que "o primeiro grau não produz nada", em referência aos juízes e servidores da Justiça do Trabalho, e também criticou a OAB-ES, que havia solicitado o adiamento da votação sobre uma reestruturação administrativa da Corte. "O primeiro grau não está produzindo nada. O segundo grau está produzindo loucamente. O que a OAB vai fazer aqui?" questionou a desembargadora. Após as declarações, a presidente da OAB-ES, Erica Neves, classificou a fala da desembargadora como um "destempero". Diante disso, em nova manifestação, a desembargadora acusou a presidente da Ordem de misoginia. "Tenho 61 anos de idade e nunca falei para nenhuma mulher que ela era destemperada. Nunca, jamais", afirmou. A OAB-ES, por sua vez, acionou o CNJ, que abriu uma Reclamação Disciplinar. Já o pedido de adiar a votação foi atendido pela maioria dos desembargadores do TRT-17. Na decisão de Campbell, à qual a colunista Letícia Gonçalves teve acesso, o corregedor afirmou que a conduta da magistrada é incompatível com os deveres do cargo. "A urbanidade, a polidez e o tratamento cortês com partes e interessados, bem como os representantes das instituições essenciais à Justiça não representam mera faculdade, mas obrigação funcional imperiosa", escreveu Mauro Campbell Marques. Desembargadora do ES é afastada pelo CNJ após críticas a juízes e à OAB. Reprodução LEIA TAMBÉM: SUSTO: Morador do ES descobre pelo Google que 'morreu' e aciona a empresa na Justiça GARANTIAS: TCE recomenda 50 medidas ao ES para enfrentar o Super El Niño IMPORTUNAÇÃO: Juiz do ES é condenado por assédio sexual contra estagiárias Além do afastamento das funções de vice-presidente do TRT-17, a desembargadora foi impedida de exercer qualquer atividade no tribunal. Ela também está proibida de acessar as dependências da Corte e deverá devolver as credenciais de acesso ao prédio. Apesar do afastamento, Marise Chamberlain continuará recebendo remuneração, mas ficará sem as prerrogativas relacionadas ao exercício diário da função. Desembargadora do TRT-ES é afastada das funções Investigação pode resultar em processo disciplinar A Reclamação Disciplinar instaurada pelo CNJ poderá resultar na abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD). Na decisão, o corregedor afirmou que a repetição de episódios envolvendo a magistrada demonstra um comportamento incompatível com o exercício da magistratura. "A reiteração desse padrão irascível e hostil, agora direcionado à advocacia e à magistratura de primeira instância, evidencia uma recalcitrância incompatível com a dignidade da função jurisdicional", escreveu. Segundo o CNJ, em análise preliminar, a conduta pode configurar violação à Lei Orgânica da Magistratura (Loman) e ao Código de Ética da Magistratura. Outro processo no CNJ Desembargadora do ES é afastada pelo CNJ após críticas a juízes e à OAB. Reprodução Marise Chamberlain já responde a outro Processo Administrativo Disciplinar no CNJ. Nesse caso, a investigação apura mensagens enviadas por ela em um grupo de WhatsApp com críticas a colegas magistrados e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em razão desse procedimento, ela já estava impedida de exercer funções administrativas no TRT-17, com exceção da vice-presidência, e também de disputar a presidência do tribunal. O que diz a defesa O g1 não conseguiu contato com a defesa da desembargadora até a última atualização desta reportagem. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

FONTE: https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/2026/07/11/primeiro-grau-nao-produz-nada-desembargadora-do-es-e-afastada-pelo-cnj-apos-criticas-a-juizes-e-a-oab.ghtml


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