Quase 3% das mortes por câncer de pulmão em Maceió têm relação com poluição, aponta estudo

  • 20/02/2026
(Foto: Reprodução)
Poluição do ar é associada a mais de 13% das mortes por câncer de pulmão Um estudo científico liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estima que 28 mortes por câncer de pulmão em Maceió, na última década, estão associadas à poluição do ar. O número representa quase 3% de todos os óbitos pela doença na capital alagoana no período analisado. A pesquisa foi publicada na revista internacional Atmosphere e tem como primeiro autor Albery Batista de Almeida Neto, estudante de Medicina da Ufal. O trabalho foi orientado pelo professor Flavio Manoel Rodrigues da Silva Júnior, do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS). O levantamento analisou dados de poluição atmosférica e mortalidade por câncer de pulmão entre 2014 e 2023 nas 27 capitais brasileiras. O foco foi o material particulado fino conhecido como PM2.5, poluente microscópico capaz de penetrar profundamente nos pulmões e alcançar a corrente sanguínea. Ao g1, o pesquisador explicou que a poluição do ar pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Segundo ele, ainda não havia, em nível nacional, uma dimensão clara do quanto a poluição atmosférica pode impactar a mortalidade por câncer de pulmão. (Assista acima) “Hoje, o tabagismo é, de fato, o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão e para a mortalidade relacionada à doença. No entanto, a poluição do ar apresenta uma série de compostos tóxicos que também podem comprometer o desenvolvimento e a progressão do tumor na região pulmonar”, afirmou. Mais de 9 mil mortes associadas no país De acordo com o estudo, 9.631 mortes por câncer de pulmão nas capitais brasileiras, ao longo do período analisado, estão diretamente relacionadas à exposição prolongada ao PM2.5. Isso representa mais de 13% de todos os óbitos pela doença nessas cidades. Os pesquisadores utilizaram uma metodologia desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para estimar o número de mortes atribuíveis à poluição do ar. Os resultados mostram que praticamente todas as capitais apresentaram níveis médios de PM2.5 acima do recomendado pela OMS. Ao todo, 97,41% das médias anuais ultrapassaram o limite indicado pelo organismo internacional. Quase um terço das medições também superou o padrão brasileiro vigente, indicando exposição crônica da população urbana a níveis considerados prejudiciais. Nordeste apresenta índices menores Embora o cenário nacional seja preocupante, os dados apontam que Maceió e outras capitais do Nordeste registraram taxas inferiores à média brasileira. “As taxas em Maceió e nas outras capitais do Nordeste são menores que a média nacional e refletem os menores níveis de poluição na região quando se compara às demais regiões do país”, destacou o professor Flavio Rodrigues. Ainda assim, os pesquisadores alertam que mesmo níveis considerados mais baixos podem impactar a saúde pública ao longo do tempo. Poluição do ar Assessoria

FONTE: https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2026/02/20/quase-3percent-das-mortes-por-cancer-de-pulmao-em-maceio-tem-relacao-com-poluicao-aponta-estudo.ghtml


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