Vídeo mostra socorrista relatando que soldado Gisele ainda tinha batimentos cardíacos e indica resgate aéreo

  • 24/03/2026
(Foto: Reprodução)
Vídeo mostra socorrista relatando que soldado Gisele ainda tinha batimentos cardíacos A câmera corporal de um policial militar registrou o momento em que um médico socorrista afirma que a soldado Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento no Brás, na região central de São Paulo, ainda apresentava pulso ao ser atendida. No vídeo, o médico ressalta que o quadro era compatível com provável morte encefálica e que, diante da gravidade, a equipe decidiu pelo encaminhamento da vítima no helicóptero Águia, após esgotar as tentativas de reanimação no local (assista acima). "Muito provavelmente uma morte encefálica, não dá para jurar nem eu e nem doutor Mário, mas ela está com pulso, tá bom? Então, estamos decidindo com a médica do Cobom. O Águia já pousou, a ideia é embarcar e levar. Ele viu que esgotou tudo", afirmou o socorrista. Na última quarta-feira (18), o marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Neto, foi preso preventivamente por ser suspeito de matar a esposa. Ele se tornou réu na Justiça por feminicídio e fraude processual. Segundo o Ministério Público, laudos periciais, reprodução simulada e as mensagens analisadas indicam que o tenente-coronel segurou a cabeça de Gisele e atirou contra ela, descartando a hipótese de suicídio. Na sequência, ainda segundo a acusação, ele teria manipulado a cena do crime para simular que a soldado teria tirado a própria vida, o que fundamenta a imputação de fraude processual. A soldado da PM Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto Montagem/g1 Leia também Controle, ameaças e exigência de sexo: veja mensagens analisadas pela polícia no caso do tenente-coronel réu por feminicídio em SP Tenente-coronel disse que ele contribuía 'com dinheiro', e que esposa morta deveria retribuir com sexo: 'Sou o provedor' Cinco dias antes de ser morta, PM Gisele avisou estar 'praticamente solteira' e tenente-coronel ameaçou: 'Jamais! Nunca será!' Gravações das câmeras corporais de policiais militares mostram a disputa de poder hierárquico entre um cabo, que queria preservar o local onde Gisele foi baleada na cabeça – e a autoridade de um oficial de alta patente, o marido dela. As imagens foram feitas no dia do crime, em 18 de fevereiro. Fotos e diálogos das imagens feitas pela câmera corporal do cabo, em que é possível assistir a esse embate entre ele e o tenente-coronel (veja vídeo abaixo). Geraldo insiste em entrar no banheiro, tomar banho e circular pelo apartamento onde Gisele estava, exatamente o tipo de conduta que acendeu o alerta dos investigadores e enfraqueceu a versão de suicídio sustentada por ele. Tenente-Coronel voltou ao apartamento após o crime; pais de Gisele Alves Santana falam pela primeira vez após a prisão de Geraldo Neto Em conjunto, vídeos, áudios e horários oferecem à investigação mais do que uma linha do tempo: contextualizam a intenção e materializam a influência exercida na cena, do banho à limpeza e às idas e vindas ao apartamento. É essa soma de condutas — insistir em tomar banho, entrar e circular apesar das advertências, afastar equipes, permitir limpezas e retornar para retirar itens — que robustece a desconfiança sobre a tese de suicídio defendida por Neto e reposiciona o foco do inquérito. Nas imagens, o conflito entre protocolo e hierarquia deixa de ser abstrato e vira prova audiovisual: aquilo que os investigadores podem ver, ouvir e cronometrar. Próximos passos Os detalhes que transformaram o tenente-coronel em réu pelo feminicídio da PM Gisele Alves Como o feminicídio é classificado como crime doloso contra a vida, a tendência é que o caso seja julgado pela Justiça comum, possivelmente pelo Tribunal do Júri. O MP pediu que, em caso de condenação, seja fixada indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da vítima. A defesa nega o crime, questiona a competência da Justiça Militar e afirma que o oficial colaborou com as investigações. O caso ocorre em meio às mudanças recentes na legislação: desde 2024, o feminicídio é crime autônomo, com penas de 20 a 40 anos de prisão. Por meio de nota, o Tribunal de Justiça Militar (TJM) informou que a decisão de prender o coronel está amparada pelo fato de o oficial ter cometido um crime contra outro membro da corporação, uma soldado, que era sua esposa. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, este é o primeiro caso desde 2015 de um oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio. Na sexta (20), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de liberdade feito pela defesa do tenente-coronel. Na decisão, o ministro Reynaldo da Fonseca, relator do caso, apontou que o tipo de ação apresentado pela defesa só é cabível em situações específicas, como quando há descumprimento de decisões do próprio STJ ou usurpação de competência da Corte, o que não ocorreu no caso, segundo o órgão. Com isso, a reclamação foi considerada incabível e não chegou a ser analisada no mérito. O que diz a defesa Durante audiência de custódia realizada por videochamada na Justiça Militar na tarde da quinta-feira (19), Geraldo voltou a afirmar que a esposa cometeu suicídio. Na audiência, ao ser questionado se alguma arma havia sido apreendida, ele respondeu: "Teve apreensão de uma arma no dia em que minha esposa cometeu o suicídio, pq ela se suicidou com minha arma no meu apartamento no Brás, onde nós morávamos, no dia 18 de fevereiro. Aquela arma foi apreendida". Nota enviada em 18 de março pelo escritório de advocacia Malavasi Sociedade de Advogados, que faz a defesa de Geraldo Neto, informa que "sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes". E "reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade". "A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel." "Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos."

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/24/video-mostra-socorrista-relatando-que-soldado-gisele-ainda-tinha-batimentos-cardiacos-e-indica-resgate-aereo.ghtml


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